Transposta a fase das chuvas, entre fevereiro e maio, este ano bem abaixo da média histórica, o Polígono das Secas enfrenta mais um período de estiagem, com o pasto para os animais em extinção e o esgotamento dos cursos d´água. As chuvas foram poucas e mal distribuídas no tempo e no espaço, caracterizando a chamada seca verde.
Em face da repetição desse fenômeno cíclico, quando a escassez de água se instala, já são 300 Municípios em situação de emergência. A estiagem afeta, especialmente, o Ceará, Piauí, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Bahia. Em breve, alcançará Alagoas e Sergipe, fechando a área suscetível às estiagens.
O Polígono das Secas compreende 1.663.200 quilômetros quadrados, abrigando uma populacão de 24 milhões de pessoas. Dessas, 14 milhões estão habitando comunidades urbanas e 10 milhões, as áreas rurais. O quadro se agrava porque neste último contingente há 9 milhões vivendo abaixo da linha da pobreza.
Em verdadeiro paradoxo, no semi-árido nordestino o Dnocs dispõe de 320 açudes, com mais de 30 bilhões de metros cúbicos de água acumulados, a cada estação regular das chuvas, servindo mais para a evapo-transpiração de 2.500 milímetros. A açudagem, como solução para as secas, esbarrou nesse fenômeno paralelo, até hoje sem solução capaz de atenuar seus graves efeitos.
Teoricamente, cada açude público deveria ser uma “ilha” de prosperidade em razão de suas finalidades como fator de aglutinação da população do seu entorno, da água abundante para a agricultura irrigada, do criatório de peixe, suprindo os habitantes de um dos alimentos mais carentes em sua mesa, e da comercialização de frutas e verduras. No entanto, as obras complementares para a utilização ideal desses reservatórios foram sempre as primeiras vítimas dos cortes bruscos nos orçamentos públicos, imobilizando gestores, técnicos e as pessoas carentes desses benefícios.
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
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